Senadora contesta exigência de autorização do
marido para uso de DIU
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A exigência de consentimento do marido para inserção de dispositivo
intrauterino (DIU) em mulheres casadas, imposta por alguns planos de saúde, é
alvo de contestação no Senado. Em indicação apresentada em 12 de agosto, a
senadora Soraya Thronicke (PSL-MS) sugere à Agência Nacional de Saúde
Suplementar (ANS) determinar a retirada da exigência que, segundo ela, não tem
amparo legal.
— Considero esse tipo de cláusula abusiva, pois a decisão sobre o uso do
DIU deve ser única e exclusivamente da própria mulher que deseja utilizar esse
método contraceptivo, seguindo as orientações médicas. Acredito que a intenção
desse tipo de barreira é dificultar o acesso das mulheres ao serviço oferecido
pelos planos de saúde, impondo várias regras excessivas. [...] Essa exigência
fere gravemente a garantia de liberdade das mulheres de escolher engravidar ou
não. É abusivo e absurdo — defende Soraya.
A indicação, dirigida ao diretor-presidente da ANS, Paulo Roberto Filho,
menciona a lei 9.263 de 1996, que
limita aos casos de esterilização cirúrgica a exigência de consentimento expresso
de ambos os parceiros, quando casados. Porém, segundo a senadora, alguns planos
teriam estendido a exigência para o DIU, “que não é um método de esterilização
definitiva, mas sim um método contraceptivo apenas”. Soraya acrescentou que,
além da função contraceptiva, o DIU é usado para diminuição de sangramento,
cólicas e tratamento de endometriose.
Segundo o Regimento Interno do Senado Federal (RISF), indicação é uma
espécie de proposição legislativa por meio da qual senador ou comissão sugere
ao Executivo ou ao Judiciário a adoção de providência, a realização de ato ou o
envio de projeto de sua iniciativa exclusiva, ou sugere que um determinado
assunto seja abordado por órgão ou comissão competente do Senado para
esclarecimento ou formulação de proposição legislativa. A indicação não será
discutida nem votada pelo Senado.
Projetos
Também em torno da legislação de planejamento familiar, tramita na
Comissão de Assuntos Sociais (CAS) projeto que facilita os procedimentos de
laqueadura ao dispensar o consentimento do cônjuge para a esterilização e
retirar a proibição à realização do procedimento imediatamente no pós-parto ou
no pós-aborto. Do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), o PLS 107/2018 tem voto
favorável da relatora, senadora Maria do Carmo Alves (DEM-SE).
Com escopo mais amplo, o PLS 406/2018 , da ex-senadora Ione
Guimarães, desburocratiza o acesso à esterilização voluntária no Sistema Único
de Saúde (SUS) por homens ou mulheres com capacidade civil plena. Além de
remover obstáculos ao procedimento de laqueadura após o parto, o texto extingue
a necessidade de consentimento do cônjuge para a esterilização e a exigência de
a pessoa ter pelo menos 25 anos ou dois filhos para que possa fazer a cirurgia.
O projeto aguarda designação do relator na CAS.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência
Senado)
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